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A Luz do Sobrevivente

"Cada Suicídio consumado deixa uma média de 6 a 10 pessoas sobreviventes que, enfrentam um percurso de sofrimento intenso com 4 vezes mais probabilidade de perturbações sérias do foro mental.


Somos os maridos, esposas, filhos, pais, avós, familiares chegados e distantes, amigos, chefes, clientes e colegas, somos os vizinhos, os profissionais ou simplesmente quem cruza aquela rua àquela hora. Muitas vezes somos aqueles que encontram, que assistem ou que lutaram intensamente contra aquele desfecho.

Somos quem ficará para sempre com essa ferida, mas também somos quem mais pode inspirar, trazer esperança e luz à vida de outro alguém"

O Luto por Suicídio

Na sequência do suicídio do seu ente querido, quem fica enfrenta desafios únicos em termos pessoais, familiares e sociais.


Não existe uma forma única de reagir à perda. Cada processo é um processo e deve ser sempre respeitado por quem o rodeia e por si próprio.

Marcos Comuns na Jornada do Luto:

Inicialmente a situação poderá parecer irreal, como se fosse um sonho, podendo existir um bloqueio emocional. Por outro lado, poderá sentir uma angústia terrível e uma grande dificuldade em lidar com a intensidade dos sentimentos negativos.

É possível que possa experimentar sintomas físicos, como dores musculares, de cabeça, de estômago, aperto no peito e na garganta, alterações do apetite, do sono, falta de energia e hipersensibilidade ao ruído.

Também é comum sentir que é demasiado, a dor emocional, a raiva, o medo, a vergonha, a desesperança, o arrependimento, o sentimentos de abandono, a rejeição e a culpa.

A culpa é uma das emoções mais difíceis de se lidar, tanto pelo que foi feito, como pelo que se pensa que podia ter sido feito em relação ao ente falecido. É importante perceber que o suicídio não ocorre por uma única causa, que é um fenómeno complexo da influência de diversos factores, nomeadamente individuais, familiares, sociais e até biológicos.

O alívio poderá ser outra emoção a sentir, eventualmente pelo desgaste de ter cuidado durante muito tempo da pessoa que faleceu. Não se sinta culpado por esta emoção, faz parte do processo de luto.

Caso tenha ideias autodestrutivas ou pensamentos de morte, o que também acontece com frequência nesta situação, isso não significa que queira pôr termo à sua vida. No entanto, se esse for o caso aconselha-se que procure um profissional.

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Os Direitos do Sobrevivente

  1. Direito a chorar sempre que precisar e durante o tempo que precisar.

  2. Direito a saber a verdade sobre o suicídio, a ver o corpo do falecido se assim o desejar e a organizar o funeral de acordo com as suas ideias e rituais.

  3. Direito a reconhecer o suicídio como o resultado de várias causas multifatoriais e interrelacionadas que produzem uma dor angustiante para a pessoa falecida: o suicídio não é uma escolha livre.

  4. Direito a viver a vida na sua totalidade, vivendo com alegria e tristeza, livre de qualquer estigma ou julgamento.

  5. Direito a ter uma vida privada respeitada e respeito pela vida da pessoa falecida.

  6. Direito a encontrar apoio de familiares, amigos e profissionais de saúde que tenham conhecimento e compreensão do seu processo de luto.

  7.  Direito a entrar em contato com o médico ou cuidador que cuidou da pessoa falecida.

  8. Direito a não ser considerado candidato ao suicídio ou paciente apenas por ser sobrevivente.

  9. Direito a oferecer a própria experiência de sobrevivente em serviço a outros sobreviventes e a qualquer pessoa que deseje compreender melhor o suicídio e o luto por suicídio.

  10. Direito a não ser tudo como antes: há uma vida antes do suicídio e uma vida depois.

Fonte: “Werkgroep Verder” – the Flemish region of Belgium’s Suicide Support Organisation