Feira do Livro | O Meu Filho Tem Asas - Rute Reis Figuinha




No passado dia 4 de Setembro, a Associação Sobre Viver Depois do Suicídio esteve a apoiar a sua Vice-Presidente da Assembleia Rute Reis Figuinha no lançamento do seu livro sobre o seu filho.


Sofia Santos Nunes, Presidente da Associação deixa aqui a sua crítica:

«Ao ler o livro da Rute, vejo uma mãe que é apaixonada pelos seus filhos, pela sua família, pelo próximo e por ela mesma. No seu livro viajamos com ela pela sua dura e profunda jornada, pelos seus dias de desespero, pelos dias de esperança, pelos natais e datas importantes, pelos recomeços, pelo cansaço e pelos momentos familiares. Abre-nos as portas da sua casa e da sua alma.


Connosco partilha uma história de amor, mas não um amor qualquer. Um amor maior do que ela pode expressar. Um amor que nos aconchega o coração, que nos contagia e que nos deixa com vontade de ser parte dele. Somos inspirados e convidados a amar e a deixar que esse amor nos purifique. Conhecemos o Pedro pelos seus olhos, respiramos a sua vida e a sua dor. Sabemos que não está nem nunca esteve sozinho, sabemos que vive naqueles que hoje respiram por ele e vive nestes olhos e nesta garra de viver que a Rute demonstra. Ela não vive só por ele, nem pelos dois, ela vive com ele. Ao seu lado, como cúmplices e companheiros de vida que serão sempre.


Vemos neste livro a tragédia que uma depressão pode ser, vemos também que há um caminho alternativo se pedirmos ajuda e abrirmos as nossas mãos a essa ajuda. Vemos a escuridão que esta nuvem pode ser na vida de alguém, o quanto cega e quanto parece ser eterno para quem lá vive. Vemos o vazio que o suicídio deixa na casa de cada família. A confusão, a avalanche de sentimentos, os cacos, a solidão. Se ao menos compreendêssemos este fenómeno complexo e o víssemos como vemos uma doença cancerígena, talvez deixássemos de ver o suicídio como uma escolha livre de quem o fez, como uma traição, como algo que temos de arranjar um culpado e uma justificação, e passássemos a ver o suicídio como algo que acontece às pessoas. E talvez aqui tivéssemos todos a compaixão, generosidade e abertura a ser o porto de abrigo que a Rute é.


Estamos no mês e no dia mundial da prevenção do suicídio, que em Portugal tira vidas todos os dias e deixa um rasto de destruição, de vidas desestruturadas e corações rasgados.


Informar, apoiar e mostrar compaixão para quem está nesta nuvem salva vidas e dá vida e propósito a quem fica. Nós sobreviventes somos mais do que uma ferida aberta, somos voz de esperança. Por isso, juntemo-nos em torno a essa esperança para lhe dar cara e vida. Falar sobre suicídio é preciso, Falar sobre quem partiu é uma brisa de ar fresco e não uma cruz a carregar.


Assim, comecemos a partilhar as nossas histórias de amor e também os nossos dias em que não conseguimos respirar. Partilhemos quem eram os nossos entes queridos, os detalhes que só nós tivemos a sorte de viver, as piadas que só nós tivemos a sorte de ouvir. E ao mesmo tempo, não esqueçamos que quem fica tem também direito à vida. Por isso, se está a ouvir e a passar pelo mesmo, saiba que há uma associação aqui para si, para a ouvir e para caminhar ao seu ritmo até onde o permitir. Não esquecemos quem partiu e também não esquecemos quem ficou.


Todos nós temos um papel a desempenhar na vida de alguém. Deixe-se tocar por este testemunho, por esta história de amor e faça a diferença. Seja a luz na vida de alguém.

Procure-nos em associacaosobreviver.org "

Sofia Santos Nunes